Laudo aponta que Yago Ravel Rodrigues Rosário, de 19 anos, sofreu ferimentos por disparos antes da decapitação

MEGAOPERAÇÃO NO RIO

Laudo pericial obtido com exclusividade revela que Yago Ravel Rodrigues Rosário, integrante do Comando Vermelho (CV), ainda apresentava sinais vitais quando teve sua cabeça decapitada.

A ação foi realizada na terça-feira (28) pelas Polícias Civil e Militar contra a facção Comando Vermelho. Até esta sexta-feira (31), 99 corpos foram identificados, segundo o secretário da Polícia Civil do Rio, delegado Felipe Curi.

A operação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes policiais e faz parte da Operação Contenção, iniciativa permanente do governo estadual para impedir a expansão territorial do Comando Vermelho na capital fluminense. Segundo reportagem da BBC, o governo do Estado a classificou como “a maior operação das forças de segurança do Rio de Janeiro”, enquanto o governador Cláudio Castro (PL) a descreveu como “sucesso” e “um duro golpe na criminalidade”.

Movimentos de direitos humanos contestam a ação, classificando-a como chacina, e questionam sua eficácia como política de segurança pública.

A polícia já recebeu o laudo da perícia no corpo do suspeito encontrado decapitado em área de mata. O documento revelou que Yago Ravel Rodrigues Rosário foi atingido por um tiro antes do corte feito com a faca no pescoço. Além disso, o disparo foi a longa distância e a arma usada é típica de projéteis de alta velocidade.

O disparo teria sido efetuado de baixo para cima e atingido Yago na região na parte inferior do abdômen, atravessando seu corpo e saindo pelas costas. O disparo causou lesões no fígado, pulmão direito e estômago.

Conforme aponta o documento, quando a cabeça foi separada do restante do corpo, com o auxílio de um facão, o sangue ainda circulava. Fontes ouvidas pela coluna evidenciaram que a ação teria sido cometida poucos minutos após o disparo, já que esse é o tempo médio que leva para que alguém com a altura de Yago, que tinha em média 1,65 m, perca todo o sangue após ser atingido por um tiro de fuzil. Isso porque o confronto era intenso e, segundo as investigações, Yago atuava na linha de frente da facção criminosa, acompanhado de diversos comparsas, o que inviabilizaria que um policial o alcançasse logo após o tiro.