Por Alexandre Caramaschi, cofundador da plataforma Naia e especialista em IA e GEO (Generative Engine Optimization)
Toda semana alguém me pergunta: “quanto eu posso tirar do SEO para colocar em IA?”. A dúvida faz sentido, mas quase sempre parte de uma premissa equivocada: a de que SEO e IA disputam o mesmo orçamento. Não disputam. A autoridade que faz uma empresa ser citada por modelos de IA é, em grande parte, a mesma que leva os buscadores a confiarem nela. As companhias que ainda separam investimentos em SEO e GEO podem estar perdendo a chance de amplificar resultados. Um estudo da Seer Interactive, com 3,1 mil termos de busca de 42 organizações, indica que as marcas presentes no AI Overview do Google recebem 35% mais cliques orgânicos e 91% mais cliques pagos do que concorrentes que ficam de fora da síntese. Durante anos tratei busca e presença em IA como estratégias separadas, até entender que ambas são impulsionadas pelos mesmos sinais de credibilidade. Essa relação, que vem da psicologia, explica melhor do que qualquer planilha por que investir em um canal também fortalece o outro. A conexão entre a presença em IA e o desempenho em buscas tradicionais pode ser explicada pelo “efeito halo”, conceito da psicologia descrito em 1920 pelo pesquisador Edward Thorndike. O fenômeno descreve como a percepção positiva em um atributo influencia a avaliação geral de uma pessoa ou marca. Quando o ChatGPT ou Gemini descreve uma empresa como fonte competente sobre determinado assunto, isso instala no usuário um sentimento geral de autoridade que influencia o clique seguinte no Google, a leitura do site e até a decisão de compra. Mesma base, dois canais
Em junho de 2026, o Google Search Central publicou um guia oficial apontando que otimizar para AI Overviews e AI Mode “ainda é SEO”. A IA do Google recupera conteúdo do mesmo índice de busca usado para resultados orgânicos tradicionais. Na prática, isso significa que as ações de otimização alimentam ambos os canais simultaneamente: cobertura ampla de temas, uso de dados e fontes confiáveis, e consistência na apresentação da marca beneficiam tanto o ranking orgânico quanto a citação em respostas de IA. Um dos principais reflexos da presença em respostas de IA é o aumento nas buscas diretas pelo nome da empresa. Os usuários que veem uma marca bem descrita em respostas do ChatGPT ou Gemini tendem a buscar o nome diretamente no Google posteriormente. Esse comportamento gera um ciclo virtuoso. Por exemplo, quando muitas pessoas buscam uma marca associada a um tema específico, o Google interpreta isso como autoridade naquele assunto, elevando o posicionamento orgânico mesmo em buscas que não mencionam o nome da empresa. Para medir o impacto, é recomendável acompanhar três métricas principais: Share of citation: frequência e qualidade das citações em ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity
Volume de busca de marca: acompanhamento no Search Console e Google Trends
CTR de marca na SERP: taxa de clique em buscas pelo nome da empresa
Mesma base, dois canaisEm junho de 2026, o Google Search Central publicou um guia oficial apontando que otimizar para AI Overviews e AI Mode “ainda é SEO”. A IA do Google recupera conteúdo do mesmo índice de busca usado para resultados orgânicos tradicionais. Na prática, isso significa que as ações de otimização alimentam ambos os canais simultaneamente: cobertura ampla de temas, uso de dados e fontes confiáveis, e consistência na apresentação da marca beneficiam tanto o ranking orgânico quanto a citação em respostas de IA. Um dos principais reflexos da presença em respostas de IA é o aumento nas buscas diretas pelo nome da empresa. Os usuários que veem uma marca bem descrita em respostas do ChatGPT ou Gemini tendem a buscar o nome diretamente no Google posteriormente. Esse comportamento gera um ciclo virtuoso. Por exemplo, quando muitas pessoas buscam uma marca associada a um tema específico, o Google interpreta isso como autoridade naquele assunto, elevando o posicionamento orgânico mesmo em buscas que não mencionam o nome da empresa. Para medir o impacto, é recomendável acompanhar três métricas principais:Share of citation: frequência e qualidade das citações em ChatGPT, Gemini, Claude e PerplexityVolume de busca de marca: acompanhamento no Search Console e Google TrendsCTR de marca na SERP: taxa de clique em buscas pelo nome da empresa Halo negativo: o risco invisível
O efeito halo também funciona no sentido inverso. Se a IA descreve uma marca com informações desatualizadas, posicionamento incorreto ou confusão com concorrentes, esse erro contamina toda a percepção seguinte. Aparecer e ser bem recomendado são coisas diferentes. O modelo pode estar citando sua empresa para contradizê-la, e isso fica invisível para quem não monitora. Por fim, para as empresas que desejam avaliar seu desempenho nesse cenário, também é recomendável seguir as ações a seguir. Camada de IA: testar os cinco temas mais relevantes para o negócio nos principais modelos de linguagem, verificando se a marca aparece e se a descrição está correta; Camada de evidência: conferir se as páginas respondem diretamente às perguntas, trazem dados com fonte atualizada e cobrem variações do tema; e Camada de entidade: verificar se nome, descrição e credenciais aparecem consistentes em fontes de terceiros confiáveis. A pergunta, portanto, não é quanto tirar do SEO para investir em IA. É como construir uma autoridade capaz de gerar confiança em qualquer ambiente onde as pessoas buscam respostas. Alexandre Caramaschi é cofundador da Naia e CEO da Brasil GEO. Atuou como ex-CMO da Semantix (Nasdaq). Tem mais de 18 anos em tecnologia, marketing e vendas. e é pioneiro no conceito de Generative Engine Optimization (GEO) e Business-to-Agent (B2A) no Brasil.
