Câncer de pulmão: maioria dos pacientes chega ao tratamento com doença avançada

O Brasil deve registrar cerca de 35,3 mil novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão por ano no triênio 2026-2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O número coloca a doença entre os tipos de câncer mais incidentes no país e reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.O panorama atual apresenta desafios também porque a maioria dos casos ainda é identificada em fases mais avançadas – somente 15% dos casos de tumores pulmonares são identificados em estágios iniciais em nosso país, de acordo com o INCA.O principal fator de risco é o tabagismo, relacionado a cerca de 85% dos casos. A doença, no entanto, não é exclusiva de fumantes: entre 10% e 20% dos diagnósticos ocorrem em pessoas que nunca fumaram. Poluição do ar e exposição a determinados agentes químicos e físicos também podem estar relacionadas ao desenvolvimento do tumor.*Tosse persistente merece atenção*Tosse ou rouquidão persistentes, falta de ar, cansaço, dor no peito, presença de sangue no escarro e perda de peso ou de apetite estão entre os sinais que merecem investigação médica. “Quando esses sintomas persistem, é importante buscar orientação médica. Se houver confirmação da doença, quanto antes o tratamento for iniciado, maiores são as possibilidades de buscar um melhor controle do câncer”, explica a rádio-oncologista Paula Soares, do Oncoville Radioterapia.

Para alguns fumantes com 50 anos ou mais, a Tomografia Computadorizada de Tórax com baixa dose de radiação (TCBD) pode ser indicada como estratégia de rastreamento. A necessidade do exame deve ser avaliada individualmente por um médico, de acordo com o histórico e os fatores de risco de cada pessoa.

O tratamento depende do tipo e do estágio do câncer e pode envolver cirurgia, quimioterapia, imunoterapia e radioterapia, isoladamente ou em combinação.Na radioterapia, o planejamento é fundamental para direcionar a radiação ao tumor com precisão e, ao mesmo tempo, preservar os tecidos saudáveis próximos. Técnicas como a IGRT (Radioterapia Guiada por Imagem) permitem acompanhar o posicionamento do tumor e realizar ajustes para aumentar a precisão durante o tratamento.“O tumor pulmonar apresenta movimento durante a respiração. Por isso, estudamos esse deslocamento ainda na etapa de planejamento, realizada a partir da tomografia de simulação. Com isso, conseguimos definir a melhor estratégia para irradiar o tumor de maneira precisa, buscando preservar os órgãos e tecidos saudáveis ao redor”, explica o físico-médico Paulo Petchvist, do Oncoville Radioterapia.