Especialista on-line é estratégia para qualificar atendimento no SUS de Curitiba

Tatiane Filipak afirmou aos vereadores que conectar médicos da atenção básica a especialistas para definir prioridades reduzirá “idas e vindas” e organizará melhor as filas.

Antes de o paciente entrar na fila de uma especialidade, o caso pode passar pela avaliação on-line de um médico especialista. A estratégia está sendo usada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para qualificar encaminhamentos no SUS de Curitiba, definir com mais precisão quem precisa de atendimento prioritário e reduzir o tempo perdido com solicitações incompletas ou inadequadas. O modelo foi apresentado nesta terça-feira (29), durante Audiência Pública na Câmara Municipal de Curitiba (CMC).“É o paciente, já na unidade básica de saúde, ter uma consultoria entre o médico clínico da atenção básica e o especialista da rede especializada. Eles discutem o caso e colocam esse paciente mais rápido dentro do atendimento médico”, explicou a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak. Segundo ela, “é uma fila que é qualificada pelo especialista, é uma fila segura e, sempre que necessário, este paciente vai ser priorizado”.Coordenada pela Comissão de Saúde e Bem-Estar Social, a realização da Audiência Pública é um dos instrumentos de fiscalização do SUS pelo Poder Legislativo, prevista pela lei complementar 141/2012, que atribui às câmaras municipais, com apoio dos órgãos de controle e dos conselhos de saúde, a tarefa de acompanhar a aplicação dos recursos e a execução das políticas públicas de saúde. Hoje, a sessão foi presidida por Pier Petruzziello (PP), membro da comissão, ao lado de Meri Martins (Republicanos), Angelo Vanhoni (PT), Carlise Kwiatkowski (PL) e Luciano Carvalho (PP).

Especialista ajuda a decidir o próximo passo do paciente

A lógica é fazer o especialista participar mais cedo da jornada do usuário. Filipak citou a neurologia como exemplo: ainda na atenção básica ou na urgência, o médico pode discutir o quadro com o neurologista antes de definir o encaminhamento. “Esse neurologista vai dar o apoio para o médico da urgência e dizer: ‘Esse paciente tem que ser encaminhado agora’. Ou: ‘Esse paciente está estável e vai para um atendimento especializado do ambulatório de neurologia’”, exemplificou.

A estratégia se aplica a uma área de grande volume assistencial. No período apresentado, a SMS contabilizou 23,2 milhões de procedimentos na atenção especializada, dos quais 12,7 milhões foram diagnósticos, entre raio-X, tomografia, ressonância, ecografia e espirometria. A rede também registrou cerca de 113 mil internações. “É importante diagnosticar cada vez mais cedo. Isso é qualidade de vida, é intervenção no momento certo”, afirmou Filipak.

SMS quer ampliar visibilidade sobre as filas internas

Outra frente apresentada pela Secretaria é o acompanhamento das chamadas filas internas dos hospitais e prestadores credenciados. A SMS já controla a fila externa, formada pelos pacientes encaminhados pela rede municipal, mas perde parte da visibilidade quando o usuário passa para a organização interna do prestador. O sistema está sendo parametrizado para ampliar esse acompanhamento.“Quando eu atendo o paciente na rede credenciada, ele passa para uma fila interna. Essa fila é do hospital, é do serviço que ele foi atendido. É uma fila que nós não temos visivelmente no nosso sistema. Estamos parametrizando o sistema para isso”, disse a secretária. Enquanto a integração não é concluída, auditores municipais acompanham essas filas e verificam fluxos, contratos e metas pactuadas com os prestadores.