O câncer de mama afeta na maioria as mulheres
Realizada anualmente, a campanha Outubro Rosa amplia a conscientização sobre o câncer de mama e reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao cuidado. Embora não seja possível evitar todos os casos, informação e acompanhamento adequado são importantes aliados na atenção à saúde da mulher.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026–2028, com risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. Na Região Sul, a estimativa é de 77,91 casos por 100 mil mulheres.
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo mais prevalente entre as mulheres brasileiras. A idade é um dos principais fatores de risco, com aumento da incidência especialmente a partir dos 50 anos. Outras causas associadas ao desenvolvimento da doença estão o excesso de peso corporal, a inatividade física, o consumo de bebidas alcoólicas e a exposição à radiação ionizante, além de condições relacionadas à história reprodutiva, hormonal, genética e familiar. A adoção de medidas preventivas pode contribuir para a redução de riscos.
Ainda que a doença seja mais frequente a partir dos 50 anos, também pode ocorrer em mulheres mais jovens, explica a oncologista clínica Ana Paula Dergham, da Neo Oncologia, de Curitiba. “O câncer de mama em mulheres mais jovens tem aumentado no Brasil e no mundo. Geralmente são tumores mais agressivos, como o subtipo triplo negativo, apresentam correlação com densidade mamária mais elevada onde os exames de rastreamento são menos eficazes. Destaca-se aqui o estilo de vida moderno também, com o aumento do consumo de ultraprocessados, obesidade e consumo de bebidas alcoólicas com mais frequência. Um amplo estudo analisou dados de brasileiras entre 18 e 39 anos. A conclusão mostra que mulheres muito jovens (menores de 35 anos) apresentam diagnósticos em estadiamentos mais avançados do câncer e pior resposta terapêutica em comparação àquelas de 35 a 39 anos.”
Embora a maior parte dos casos não seja hereditária, órgãos de saúde e institutos de pesquisa como o INCA citam que de 5% a 10% dos cânceres são relacionados a fatores hereditários – alterações em genes como BRCA1 e BRCA2 estão entre as mutações associadas à predisposição ao câncer de mama. Histórico familiar de câncer de mama, câncer de ovário ou ocorrência de câncer de mama em homens na família merece avaliação individualizada do risco.
A oncologista clínica aponta a importância de se conhecer o próprio corpo e observar possíveis alterações, como nódulo persistente na mama ou na axila, mudança no formato ou tamanho da mama, alterações na pele ou no mamilo e saída espontânea de líquido pelo mamilo são sinais que merecem atenção e devem ser avaliados por um especialista.
“É muito importante, além da consulta e avaliação anual do ginecologista, prestar atenção no seu corpo e valorizar essas mudanças não postergando a ida ao médico. O autoexame ainda é uma forma de autocuidado, mas não substitui a mamografia. Há diversas alterações benignas na mama, como tumores e cistos, e mudanças relacionadas ao ciclo hormonal. O fundamental é investigar.”
Vale ressaltar a diferença entre uma investigação de alterações suspeitas do rastreamento realizado em mulheres sem sinais ou sintomas. Para o rastreamento, o Ministério da Saúde recomenda a realização de mamografia sob demanda a partir dos 40 anos e a cada dois anos em mulheres de 50 a 74 anos. Em outras faixas etárias ou diante de fatores que indiquem potencial risco, a necessidade e a periodicidade dos exames devem ser avaliadas individualmente por um profissional especializado.
“Informação, prevenção, acompanhamento e atenção aos sinais do corpo são aliados importantes para que o cuidado aconteça no tempo adequado”, conclui a médica Ana Paula Dergham.
